A Partida | Casei sem Casa

escrito por Gabriel Toledo 10 de março de 2019
A Partida | Casei sem Casa

Dia 9 de fevereiro de 2019, o dia em que deixamos a nossa família, rotina e a sensação de segurança e estabilidade para trás em busca de autodescobrimento, nos aventurando pela América, continente que nos conquistou. 

As horas que antecederam a nossa saída de Bauru, cidade em que vivemos toda a nossa vida, foram de agonia e euforia. Já podíamos sentir um pouco da saudade e ao mesmo tempo a alegria de viver mundo afora. Aproveitamos cada momento com as pessoas que amamos e preparamos os últimos detalhes do nosso caro, casa e lar nos próximos meses: a Scarlet.

Enfim chegou a hora. O coração acelerou. Nos despedimos de todos, segurei o choro e tentei focar em cada um que me abraçava. Ouvir a voz, sentir o cheiro e mostrar o quanto os amo. A parte mais difícil com certeza foi dar tchau para o meu irmão caçula. 

Entrei no carro, seguido da Julia, liguei o motor e saímos em meio a todos nos dando tchau e mandando beijos. Nessa hora entendemos que era pra valer, e que tudo o que planejamos por meses estava acontecendo. Até este momento a expedição parecia algo distante, porque apesar de todos os preparativos e divulgações do nosso projeto, foi ali que tudo se fez real. Viramos a chave para uma nova vida, uma realidade que em pouco tempo iria nos transformar de forma profunda e permanente.

Saímos com destino a Londrina, por volta das 14h. A escolha da cidade foi totalmente sem motivo. Eu não tinha ideia de onde ir e minha ansiedade não me permitia pesquisar ou dar muita atenção a isso. Fizemos uma viagem tranquila e chegamos no final do dia ao hotel que reservamos. 

Até este ponto não conseguia processar se tinha tomado a decisão correta. Se deixar “tudo” o que já tinha conquistado para trás e ir em busca de um sonho realmente fazia sentido. Na verdade parecia que nada fazia sentido naquele momento. Ver a Julia se esforçando para ficar bem, mesmo sem ter certeza de nada, me deixou bem desesperado naquela noite. Mas esses sentimentos mudaram rápido. Dormimos e no outro dia tivemos uma surpresa: ao acordar, encontrei um amigo da faculdade no saguão do hotel. Ele estava trabalhando no aeroporto da cidade. Encontrar alguém conhecido e querido nessas horas nos deixa mais calmos e com a sensação de estar em casa.

No mesmo dia almoçamos em Curitiba na casa de uma amiga de infância, e lá encontramos outra amiga. Comemos e conversamos um monte e isso nos ajudou novamente a acalmar os sentimentos de dúvida que ainda restavam dentro de nós.

E a viagem continua…

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Começo de noite, meta batida, chegamos ao camping que reservamos em Florianópolis, Santa Catarina. Arrumamos as nossas coisas, jantamos e dormimos na barraca de teto da Scarlet pela primeira vez. Foi uma experiência incrível. Ficamos juntos aproveitando os primeiros momentos de uma grande jornada pelas rotas americanas.

Permanecemos cerca de 3 dias na ilha e conhecemos lugares incríveis. Pude mostrar para a Julia algumas praias e atrações da cidade que eu já havia conhecido, além de descobrir novos lugares. Fomos até praia da Joaquina, Lagoa, fizemos sandboard e nos divertimos muito. Encarar a realidade de recém-casados e recém viajantes não foi fácil. Mas com certeza as belas paisagens nos ajudaram. 

Em terras catarinenses, tivemos outra surpresa. Recebemos um convite para conhecermos o Projeto Dorcas, em Palhoça, cidade da Grande Florianópolis. Os missionários Rica e Cintia, amigos da Julia, nos convidaram para dormir na casa deles e nos mostraram o projeto e as belas praias da cidade. O Dorcas tem a finalidade de auxiliar crianças carentes da Favela de Frei Damião, a maior do estado de Santa Catarina. Eles dão aulas de reforço para as crianças, material escolar, treinamento em esportes, comida, além de amor e o cuidado com cada um dos inscritos. Contamos tudo com mais detalhes no vídeo que está no nosso canal!

Logo que chegamos no projeto, nos deparamos com uma realidade muito diferente da nossa. Vimos um povo carente, não só de grana, mas de atenção e carinho. Nosso coração e mente começaram a ser transformados. Vimos que o que temos é muito, perto do que aquela galera tem pra viver. E que somos privilegiados pela vida que vivemos e pela oportunidade de mergulhar em uma expedição como a que estamos fazendo. Começamos a enxergar a vida de uma forma diferente.

Os dias foram incríveis com eles. Fomos até a praia da Guarda do Embaú, que passou a ser uma das nossas preferidas. (Dica, se você for para Floripa, tem que conhecer essa praia!). Enfim, nos sentimos acolhidos e amados. Eles cuidaram de nós sem medir esforço. Ganhamos uma família.

Depois de conhecermos o Cânion Itaimbezinho, voltamos à Gramado (cidade na qual há pouco tempo passamos nossa lua de mel). Rodamos mais de 3 mil quilômetros em uma semana e, mais do que isso, vimos o cuidado das pessoas e a importância de compartilhar as coisas da vida. Fomos transformados e percebemos que o nosso lar é onde estivermos. 

O sentimento de dúvida se transformou em certeza, onde a alegria de estar fazendo algo que nos transforma a cada quilômetro, nos faz ter a segurança de que estamos no caminho certo.

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